(...) filmes "À deriva" e "Quando você viu seu pai pela última vez?"
Os dois filmes mostram adolescentes perplexos diante da desconstrução da imagem que faziam dos próprios pais. Ambos os roteiros se concentram no [i]turnig point[/i] que se dá quando descobrimos que nossos super-heróis não são super coisa nenhuma: têm fraquezas defeitos e um comportamento que, se um dia nos orgulhou, agora nos envergonha. Alguém consegue passar batido por essa mudança radical de perspectiva ?
O cinema só ajuda quando nos oferece um close nessa etapa inquietante em que nada mais parece ser como era. A adolescência ainda é considerada apenas uma fase de desbunde, de alegrias, de dúvidas e de pequenas trangressões assistidas, mas é bem mais do que isso. Não só é o momento em que se começa a abandonar a infância e entrar no mundo adulto (todos à deriva!), mas também o momento em que passamos a enxergar o que não gostaríamos de ver - ganhamos uma amplitude de horizonte que nos tonteia. A realidade cai no nosso colo de forma abrupta, agora fazemos parte da vida pra valer, é hora de começarmos a cuidar de nós mesmos, e então ? Preparados ?
Ninguém nunca está suficientemente preparado para descobrir que o amor é cheio de sutilezas, e que nossos pais, assim como nós, possuem desejos secretos e são capazes de abafá-los, mas também capazes de não abafá-los, levando seus impulsos às últimas consequências, a despeito de tudo e de todos, incluindo os filhos. Afinal, a garotada está se divertindo tanto que mal consegue perceber o que se passa em volta, não é assim? Pais preferem acreditar que adolescentes só enxeragm o próprio umbigo, quando na verdade os moleques são providos de uma antena de alcance supersônico. Só que eles ainda não possuem as ferramentas necessárias para racionalizar sobre o que estão descobrindo. Então sentem. Sentem feito bichos, sentem feito doidos, sentem com 100% de potência emocional. E ainda são taxados de rebeldes sem causa, quando causa é o que mais lhes sobra.
Alguém conseguirá mudar essa história? Impossível impedir o espanto. Ele faz parte da biografia de todos nós.

- Trecho do texto de Martha Medeiros , À deriva

Tudo muda...

É claro que tudo muda.
Mas ainda me pergunto por que isso ainda não é natural.
Morro de medo de mudanças, mas é reflexo de uma que não deu certo há um tempo atrás.
Mas esse medo existe dentro de muita gente. Medo, decepção e reflexões.
As mudanças são constantes, só não as percebemos quando não fazem mal a nós mesmos.
Porém, estão aí, pelo ar, pelo corpo, pelo olhar, por todos.
Não temos que ter medo dela. Se ao menos alguém achasse uma fórmula, ou fizesse um guia para nos ajudar nessa fase de transformação, transferência, ausência ou qualquer outra personalidade de mudança.
Aceitá-las facilmente será um objetivo a seguir.
Mudanças são constantes, acostumem-se.